No Brasil, as declarações de cor da pele / raça são coletadas para fins estatísticos desde 1872. As categorias propostas não são definidas, deixando os respondentes livres para escolher o que lhes convém. É por isso que a literatura é unânime quando enfatiza que essas declarações são construções sociais que podem levar, em particular, a um fenômeno lingüístico de embranquecimento (escolher uma categoria mais clara do que a de uma descrição puramente física). No entanto, essas declarações são usadas para compilar estatísticas e interpretar fenômenos de desigualdade e discriminação. O debate sobre a confiabilidade dessas afirmações, a fim de alcançar tais estatísticas, foi capaz de cristalizar-se sobre a oposição entre auto e alter declaraçãoes, sendo a primeira considerada mais propícia à embranquecimento. Mas a alter declaração não tem sido objeto da mesma atenção para analisar o seu funcionamento e verificar que seria menos propenso ao embranquecimento. Prosseguimos com base em entrevistas nas quais a mesma pessoa (a pesquisadora) era descrita pelos entrevistados; e destacamos a dimensão lingüística do embranquecimento no Brasil por meio de dois eixos (a influência das características socioeconômicas e da cordialidade). Enquanto o posicionamento identitário das reivindicações do estigma está mais na direção de um escurecimento.

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